Traço do mercado
Em 29 de julho deste ano, li na “Folha de S. Paulo” uma entrevista com a socióloga e jornalista norte-americana Virginia Postrel, na qual ela afirma que após a "era da produção em massa", com a Ford, no início do século XX, e a "era da conveniência", criada pelo McDonald´s nos anos 1970, o homem vive hoje a "era do design", cujo ícone seria a rede de cafeterias Starbucks.
A revista “Época Negócios” de setembro traz boa matéria sobre o designer carioca Guto Índio da Costa e o seu estúdio, no Rio, de onde saem idéias tão originais quanto belas. São banheiras high tech, ventiladores mais arrojados e econômicos e máquinas de lavar roupas com formas e atributos inovadores.
O editorial da revista traça um bom panorama da “nova era”. A publicação relata que o design tem sido o grande pilar da inovação não só em empresas como a Apple – do IPod -, que sempre trabalharam com tecnologia, formas e ousadia. A Procter & Gamble – de Vick e Pampers –, por exemplo, após criar a vice-presidência de design, viu marcas se reinventando e escapando da inércia em mercados já consolidados.
A socióloga Postrel defende “que qualquer objeto de consumo pode ser hoje uma experiência estética”. Ou seja, desde embalagem e divulgação até a experiência de utilizar/saborear o produto, as sensações de interagir com a mobília no ponto-de-venda, de receber um sorriso do atendente e de sentir o cheiro de um banheiro limpo, tudo é design. Tudo se desenha e fica marcado na mente do consumidor.
É assim em todo segmento, e a “era do design” deve ser mesmo um fato. Até na política, já não é de hoje, candidatos fazem aplicação de botox, pintam os cabelos e afinam discursos ao anseio da massa, sem falar nos cuidados com o material de campanha. Só que, na política, já está na hora de pularmos da “era do design”, para a “era do recall”. Tem muita peça com defeito nesse jogo.
 Bob Villela, publicitário e especialista em marketing
Escrito por É fato... às 15h55
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