Eufemismos
Outro dia, o ministro Guido Mantega afirmou que a crise aérea que o Brasil enfrenta, há cerca de dez meses, representa a prosperidade econômica vivida pelo país. Segundo ele, isso aumenta a demanda por vôos. Ahnn, tá. As autoridades competentes servem mesmo é para isso. Quando estamos desolados, nos dão norte, mostram a saída.
Perto de um ano de prejuízos, reuniões desmarcadas, mais de 300 mortes, omissões e incompetência generalizada, o assessor especial do presidente Lula para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, é flagrado pelas câmeras de TV fazendo gestos obscenos, pois o governo não teria culpa na tragédia com o Airbus da TAM. O assessor disse que foi um sentimento de indignação.
Lula considerou infeliz o gesto do seu assessor. Aliás, nas primeiras quatro horas após a tragédia em Congonhas, nosso presidente não se manifestou. De acordo com a coluna do Ricardo Noblat, em O Globo, ele não telefonou nem para o governador, nem para o prefeito de São Paulo. Depois mandou avisar que estava consternado. O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, se sensibilizou, oficialmente, antes do brasileiro.
Por falar nos hermanos, a Argentina enfrenta grave crise energética. Fábricas estão paralisando atividades e estabelecendo férias coletivas frente ao déficit de energia elétrica e gás. A coluna do Antônio Ermírio de Moraes, na Folha de S. Paulo, conta que o presidente Kirchner teria considerado a falta de energia um bom problema, consequência do crescimento econômico do país.
Incompetência é sucesso econômico. Gesto obsceno de figuras do alto escalão – mesmo na intimidade, não importa – é sentimento de indignação. Ser imprevidente e comprometer o ritmo de crescimento de uma nação é problema bom. Sei não. Marta, está cada vez mais difícil relaxar e gozar.
 Bob Villela, publicitário e especialista em marketing
Escrito por É fato... às 15h29
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